Uma canoa que a vida nos
empresta
e só vale o quanto temos
disposição para remar.
Tenho medo que a minha
termine
num gemido afogado,
por ter batido em uma rocha
atormentada
por lembranças que ela
decidiu petrificar.
Às vezes eu fico de pé dentro
dela,
gosto de olhar a travessia.
Gosto de forçar o remo e
sentir como é
bonita a maneira como ela
deixa tudo para trás.
Olho para as margens e
vejo o
sol mergulhar no horizonte.
Vejo as flores, os bosques,
os prados,
os jardins, as florestas e
seus bichos
correndo para os montes.
Quero um mundo com o qual eu
possa emocionar-me.
Quero ter a soberania de uma
borboleta almirante
e cessar fogo no entre cortar
de minhas asas.
Quero uma paisagem pela qual
valha a pena lutar.

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