Bem Vindo

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Eu amo a minha cruz

 Nasci dura, heróica, solitária e em pé.
E encontrei meu contraponto na paisagem 
sem pitoresco e sem beleza.
A feiura é o meu estandarte de guerra.
Eu amo o feio com um amor de igual para igual.
E desafio a morte.
Eu sou a minha própria morte.
E ninguém vai mais longe.
O que há de bárbaro em mim procura
o bárbaro e cruel fora de mim.
Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas
que vacilam às chamas da fogueira.
Sou uma árvore que arde com duro prazer.
Só uma doçura me possui:
a conivência com o mundo.
Eu amo a minha cruz, 
a que doloridamente carrego.
É o mínimo que posso fazer de minha vida:
aceitar comiseravelmente o sacrifício da noite.

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