Rodou minha saia e os
pensamentos.
Bagunçou as ideias arrumadinhas,
sacudiu o meu querer.
Levou embora minhas
perguntas,
driblou minha mania de
certezas e
afagou minha sede de
respostas.
Como brisa que amansa com o tempo,
beijou-me os cabelos e
acolheu os meus receios.
Falou em meu ouvido
e me
bordou asas grandes.
Velou meu sono e me ajudou a
levantar cedinho.
Vento feito passarinho.
Mandou o meu medo voar.
Varreu as dúvidas que prendem os passos,
limpou a poeira que a ilusão
deixou.
Vento brando mas certeiro.
Vento sem pressa mas
revelador.
Deixou vírgulas fora de lugar
e
reticências em lugar de ponto
final.
Vento bom que me inspirou.
Levantou a folhagem do meu
quintal
feito manhã de outono.
Sua festa sacudiu o meu
varal.
Espalhou pelo chão as estrelas
que eu pendurei.
Disse que vontade que nasce
no peito
tem que vir do chão e criar
raiz.
Obedeci ao vento,
me rendi como aprendiz.
Estou pendurando planos e
abraçando sonhos.
Estou rasgando listas e
multiplicando vontades.
Largando as bordas do que
conheço
e indo ao encontro do que
ainda não vi.

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