Bem Vindo

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

 
 O vento que passou por aqui me descabelou.
Rodou minha saia e os pensamentos.
Bagunçou as ideias arrumadinhas,
sacudiu o meu querer.
Levou embora minhas perguntas,
driblou minha mania de certezas e
afagou minha sede de respostas.
    Como brisa que amansa com o tempo,
beijou-me os cabelos e acolheu os meus receios.
Falou em meu ouvido 
e me bordou asas grandes.
Velou meu sono e me ajudou a levantar cedinho.
Vento feito passarinho.
Mandou o meu medo voar.
    Varreu as dúvidas que prendem os passos,
limpou a poeira que a ilusão deixou.
Vento brando mas certeiro.
Vento sem pressa mas revelador.
Deixou vírgulas fora de lugar e
reticências em lugar de ponto final.
    Vento bom que me inspirou.
Levantou a folhagem do meu quintal 
feito manhã de outono.
Sua festa sacudiu o meu varal.
Espalhou pelo chão as estrelas que eu pendurei.
Disse que vontade que nasce no peito
tem que vir do chão e criar raiz.
    Obedeci ao vento,
me rendi como aprendiz.
Estou pendurando planos e abraçando sonhos.
Estou rasgando listas e multiplicando vontades.
Largando as bordas do que conheço
e indo ao encontro do que ainda não vi.

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