entender-me com
meia hora de prosa.
Sou tal qual
moringa d’água.
Simples à
primeira vista,
como uma boa
cerâmica,
mas quem me vê
assim,
só querendo matar
a sede, só de passagem,
não faz ideia da trajectória
do meu barro,
nem das tantas
vezes que desejei mudar o meu destino.
Sou a
contra-história, o anti-herói,
estou além da
superfície.
Sou as mãos que
me moldaram,
as infindas voltas
no torno em busca da forma ideal,
a descoberta de
que não existe forma ideal,
sou os fragmentos
indesejáveis
que foram ficando pelo caminho,
os que ainda
carrego comigo,
sou o que seca
devagar, no tempo,
o que desidrata,
encolhe, retrai,
sou o que
finalmente amadurece,
o menos
quebrável,
menos frágil.
Sou a antítese,
o
que estatela,
o que fragmenta,
o contrário,
o que acolhe,
o que reserva...
Sou o som seco,
o
estampido, a percussão.
Sou a música,
sou
a orquestra de barro.
Sou exposta ao
tempo,
sou o ar que contenho,
a água que
conservo,
o fogo que me endurece,
a terra de onde
vim...
Não ache que
olhos que só têm sede vão me ganhar.
Sou de quem me
decifra.
E não sou uma só.
Sou tantas....

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