Bem Vindo

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Nos dá asas, nos convida a voar e a amar

 
  As cigarras passam a maior parte
de suas vidas debaixo da terra,
alimentando- se das raízes das árvores.
Disseram-me que há certas espécies de cigarras
que chegam a viver 15 anos debaixo da terra.
De repente, alguma coisa acontece,
e surge dentro delas um 
impulso irresistível para mudar.
Saem então dos seus túneis,
sobem pelos troncos das árvores,
arrebentam suas cascas, 
subterrâneas gaiolas,
e se transformam em seres alados.
Se elas não abandonarem suas cascas
não se transformarão em seres alados.
Continuarão a ser seres subterrâneos.
Nossos demónios são nossas cascas.
Abandonar as cascas é 
esquecer a forma subterrânea de ser.
A grande transformação das cigarras
acontece quando a morte se aproxima.
É a proximidade da morte que lhes diz:
‘Chegou a hora de voar, cantar e fazer amor,
para continuar a viver…’
Eu acho que a morte é o único poder
capaz de nos trazer vida nova.
A consciência da morte nos força
a sair de nossas sepulturas,
nos dá asas,
nos convida a voar e a amar.

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