de
suas vidas debaixo da terra,
alimentando-
se das raízes das árvores.
Disseram-me
que há certas espécies de cigarras
que
chegam a viver 15 anos debaixo da terra.
De
repente, alguma coisa acontece,
e
surge dentro delas um
impulso irresistível para mudar.
Saem
então dos seus túneis,
sobem
pelos troncos das árvores,
arrebentam
suas cascas,
subterrâneas gaiolas,
e
se transformam em seres alados.
Se
elas não abandonarem suas cascas
não
se transformarão em seres alados.
Continuarão
a ser seres subterrâneos.
Nossos
demónios são nossas cascas.
Abandonar
as cascas é
esquecer a forma subterrânea de ser.
A
grande transformação das cigarras
acontece
quando a morte se aproxima.
É a
proximidade da morte que lhes diz:
‘Chegou
a hora de voar, cantar e fazer amor,
para
continuar a viver…’
Eu
acho que a morte é o único poder
capaz
de nos trazer vida nova.
A
consciência da morte nos força
a
sair de nossas sepulturas,
nos
dá asas,
nos
convida a voar e a amar.
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