Se um
dia me grita que é curta,
manda
em seguida a mensagem
de que é preciso saber esperar.
Avança
e recua, oferece e retira,
para
nos medir, não a força,
mas a
capacidade de brincar.
Não
importa o quão irritante isso tudo me pareça.
Nada
vai mudar o fato de que
não se toca o tempo com a mão.
Não
posso empurrá-lo ou puxá-lo,
ele
não vai nem vem,
não
pode que lhe sejam.
Admito,
tenho pressa.
Mas é
pressa de chegar em casa
e finalmente descansar.
Pressa
de ter calma.
Pressa
e sempre inimiga.
É que
nessa correria feia,
por
mais vezes me perco no caminho,
sem
conseguir chegar.
O
tempo, em seu ritmo criança,
nos
faz todo dia o mesmo convite
a
viver delicadas repetições e, assim,
sorver
a essência subtil do que não é feito.
Espero
que eu,
sempre tão rápida,
não
aprenda tarde demais.

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