Bem Vindo

domingo, 12 de janeiro de 2014

É que a vida tem um jeito estranho

É que a vida tem um jeito estranho
de dizer suas entrelinhas.
Algumas coisas são ditas 
dentro das mesmas circunstâncias,
entre os momentos que mudam 
e os fatos que se alteram,
e tudo continua no mesmo lugar.
É que a vida tem um jeito estranho 
de revelar a realidade.
Aquela que existe no intervalo entre
o que se quer e o que se tem,
mas quando se está nela,
não é uma coisa nem outra,
e sim um fragmento da ilusão.
É que a vida tem um jeito estranho
de contar certas verdades.
Algumas são contadas de um modo,
ouvidas de outro e, ao final de tudo,
não passam de invenção dos sentidos.
É que a vida tem um jeito estranho
de apontar novos caminhos.
Alguns têm atalhos que mudam a direcção,
se distanciam do ponto de partida,
e voltam para o mesmo lugar.
É que a vida tem um jeito estranho
de fazer perceber suas incertezas.
Algumas vezes o presente 
é uma certeza absoluta,
mas no intervalo entre o agora 
e o daqui a pouco,
tudo muda, e a mesma certeza se
transforma em um pequeno 
detalhe pertencente ao passado.
E o amanhã nem chegou ainda…
É que a vida tem um jeito estranho
de explicar os sentimentos.
Muitas vezes os que ocupam os espaços
de afecto do lado de dentro, não são
os mesmos experimentados do lado de fora.
É que a vida tem um jeito estranho
de fazer compreender o que é a felicidade.
Alguns a perseguem durante
uma vida inteira e não a encontram;
outros sequer se preocupam com ela,
e são em si a sua mais pura expressão.
É que a vida tem um jeito estranho
de ensinar o significado de ausência.
Como entendê-la se ao fechar os olhos
vem logo ao encontro a presença?
É muito estranho esse jeito 
que a vida tem de dizer certas coisas…
Talvez, 
nesse jeito tão estranho de dizer,
resida toda a sua poesia!

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