Gostei tanto de quem conheci que
Eu introjetei em mim aquela pessoa que,
finalmente, não estava mais vivendo levianamente,
mas participando verdadeiramente da realidade.
Foi estando muito lúcida que pude me embriagar de arte
e deixar minha imaginação inventar os caminhos que ela trilharia.
Conheci paisagens, às vezes, muito familiares,
mas o meu olhar era inédito.
Não sou mais imediatista quando me faço companhia,
pois essa nova pessoa respeita o seu próprio tempo.
Por isso, também é preciso evitar alguns lugares,
pessoas, antigos hábitos e pensamentos.
O passado só me cabe para servir como base
para o que tenho me tornado.
Cada dia eu amanheço numa página em branco
e vou dormir numa outra cheia de coisas que escrevi e vivenciei.
A única garantia é que nem sempre encontro o que procuro,
mas sempre busco o estado e o lugar
Eu mereço experienciar esta fascinação pela vida
e a liberdade de ser exuberante e transformar o chão em céu,
o mar em útero, meu corpo em Templo.
Respeito os que vivem de outro modo,
porque meu caminho não é o certo nem o único,
é o que eu escolhi para mim
E nasci apaixonada pelo amor, mas só agora,
me fazendo companhia, é que ele deixou de
ser uma palavra para se tornar uma experiência.
Sou muito grata por estar na esquina
aonde eu estava passando e por ter me dado a mão.
Caminhamos juntas:
eu comigo mesma!
Marla de Queiroz

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