Bem Vindo

sexta-feira, 13 de setembro de 2013


 Quando me encontrei comigo, 
eu estava de passagem.
Gostei tanto de quem conheci que 
resolvi andar junto, lado a lado, dentro.
Eu introjetei em mim aquela pessoa que,
finalmente, não estava mais vivendo levianamente,
mas participando verdadeiramente da realidade.
Foi estando muito lúcida que pude me embriagar de arte
e deixar minha imaginação inventar os caminhos que ela trilharia.
Conheci paisagens, às vezes, muito familiares,
mas o meu olhar era inédito.
Não sou mais imediatista quando me faço companhia,
pois essa nova pessoa respeita o seu próprio tempo.
Por isso, também é preciso evitar alguns lugares,
pessoas, antigos hábitos e pensamentos.
O passado só me cabe para servir como base
para o que tenho me tornado.
Cada dia eu amanheço numa página em branco
e vou dormir numa outra cheia de coisas que escrevi e vivenciei.
A única garantia é que nem sempre encontro o que procuro,
mas sempre busco o estado e o lugar 
mais confortáveis para mim.
Eu mereço experienciar esta fascinação pela vida
e a liberdade de ser exuberante e transformar o chão em céu,
o mar em útero, meu corpo em Templo.
Respeito os que vivem de outro modo,
porque meu caminho não é o certo nem o único,
é o que eu escolhi para mim 
quando lancei mão do meu livre arbítrio.
E nasci apaixonada pelo amor, mas só agora,
me fazendo companhia, é que ele deixou de
ser uma palavra para se tornar uma experiência.
Sou muito grata por estar na esquina
aonde eu estava passando e por ter me dado a mão.
Caminhamos juntas:
eu comigo mesma!

Marla de Queiroz

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